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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O que o luto ensina

Reflexões sobre os ensinamentos que podemos tirar do luto.

  • Aceitar a morte dos entes queridos, bem como reestruturar a vida depois de perdas tão significativas é uma difícil tarefa, pois se trata de uma das maiores dores do ser humano, se não a maior.
    Um dos grandes especialistas em luto no mundo, o psiquiatra inglês Colin Murray Parkes autor do livro “Luto – Estudos sobre a perda na vida adulta” considera que o luto é o preço que se paga por amar e ter uma vida feliz ao lado de alguém. É assim que ele impulsiona seus pacientes a não esquecer, mas seguir com a boa lembrança. Para o especialista, o luto é uma importante transição, pois pode representar o reinício da própria história.
  • Lembrança

    Quando vivemos o choque da perda, acreditamos que é o fim, que perdemos não só a pessoa amada, mas também tudo o que foi vivido de bom com ela. No entanto, com o tempo torna-se perceptível que esse ente vive e viverá sempre em nossa memória. Assim, nunca perdemos totalmente quem amamos, sempre haverá um elo nos ligando a eles e por mais intensa que seja a dor há sempre crescimento na superação.
    Sentir que somos capazes de sobreviver a um sofrimento extremo provoca amadurecimento e nos torna mais fortes. Refazer a vida tendo em mente que a perda é grande, mas não total, faz toda a diferença.
  • Espiritualidade

    A espiritualidade, independente da religião, induz a pessoa a encontrar um sentido na vida, a buscar razões para sobrepujar a dor. É verdade que depois de uma perda a sensação é de quebra, de corte; então é preciso recompor-se, reestruturar a si mesmo e a própria vida. O lado espiritual tem forte influência nesse caminho de reconstrução. Segundo o Dr. Parkes: “Porque espiritualidade é achar um sentido na vida, qualquer que seja a linguagem que você utiliza para explicar esse significado”.
    A aceitação da morte como sendo parte da vida é outra consequência da espiritualização. A fé afasta a revolta e então é possível vivenciar a dor sem desespero. Pessoas espiritualizadas possuem a esperança genuína que consola e emana paz.
  • Vale a pena

    Diante de uma grande perda muitas pessoas ficam com medo de amar, pois acreditam que dessa forma blindam-se da dor. Entretanto, é preciso que haja a compreensão de que as perdas são inevitáveis na vida e aceitá-las faz parte do amadurecimento de cada um. Não se pode negar que o luto é uma das mais difíceis experiências que podemos vivenciar, entretanto, nenhum de nós pode se esquivar dele. Quanto mais amamos, maior a dor da perda; é o preço que pagamos por tanto amar.
    Parkes salienta que “algumas pessoas acham seu luto tão doloroso que ficam com medo de amar novamente. Mas o preço vale a pena”.É importante entender e legitimar isso na nossa vida, afinal, se perder um amor é difícil; impossível mesmo é ser feliz sem amar alguém!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Historiadores traduzem única autobiografia escrita por ex-escravo que viveu no Brasil

Mahommah Gardo Baquaqua, nascido no Norte da África no início do século XIX, trabalhou no país antes de fugir em Nova York


RIO - “Que aqueles ‘indivíduos humanitários’ que são a favor da escravidão se coloquem no lugar do escravo no porão barulhento de um navio negreiro, apenas por uma viagem da África à América, sem sequer experimentar mais que isso dos horrores da escravidão: se não saírem abolicionistas convictos, então não tenho mais nada a dizer a favor da abolição.”
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As palavras são de Mahommah Gardo Baquaqua, ex-escravo nascido no Norte da África no início do século XIX e que trabalhou no Brasil antes de fugir das amarras da servidão em Nova York, em 1847. O trecho consta do livro “An interesting narrative. Biography of Mahommah G. Baquaqua” (“Uma interessante narrativa: biografia de Mahommah G. Baquaqua”, em tradução livre), lançado assim mesmo, em inglês, pelo próprio ex-escravo, em Detroit, no ano de 1854, em plena campanha abolicionista nos EUA. A obra jamais foi traduzida para o português, permanecendo desconhecida do público brasileiro.
No entanto, com apoio do Ministério da Cultura e do Consulado do Canadá, o professor pernambucano Bruno Véras, de 26 anos, resolveu se debruçar sobre o documento, ajudado por outros dois pesquisadores. Ele viajou ao Canadá, onde buscou vestígios de Baquaqua e consultou os originais do livro, cuja primeira edição em português deve ser lançada no Brasil até o fim do ano que vem.

- Baquaqua sempre foi um personagem que me intrigou. Ele escreveu a única autobiografia de um africano escravizado em terras brasileiras. Nos EUA e na Inglaterra existem vários desses relatos, que tinham uma função abolicionista. No Brasil, só um. E, apesar disso, Baquaqua não é conhecido em nossa História nem em nossos livros didáticos - conta Véras.
Os historiadores Paul Lovejoy e Robin Law, por exemplo, republicaram o livro nos anos 2000, ainda no idioma de Shakespeare. Segundo consta dos registros da edição original, parte da obra foi ditada para o escritor Samuel Moore, responsável também por editar a história do escravo.

DUAS VEZES ESCRAVIZADO
A trajetória extraordinária desse personagem começa nos anos 1820, em Dijougou, onde hoje é o Norte do Benim. Filho de um proeminente comerciante, o pequeno Mahommah Baquaqua estudou em uma escola islâmica para ter acesso ao Corão, adquirindo conhecimentos de leitura e de matemática. Suas habilidades logo lhe permitiram atuar em importantes rotas comerciais que ligavam o então califado de Socoto e o extinto Império Ashanti, que rivalizavam no tráfico de escravos e no domínio de regiões da África Ocidental.


Baquaqua foi preso e feito escravo pelos Ashanti enquanto vendia grãos, noz de cola e outras especiarias para o front de guerra. Mesmo sendo recomprado e libertado pelo seu irmão, acabou novamente detido pouco tempo depois por tentar roubar e ingerir bebida alcoólica perto de Dijougou, algo próximo a um pecado capital para uma localidade dominada pelo Islã.
Baquaqua não pôde contar com a sorte daquela vez. Novamente escravizado, foi levado para a cidade litorânea de Uidá, importante porto de onde saía grade parte dos cativos destinados ao Novo Mundo. É a partir desse ponto que a autobiografia ganha seus contornos mais emocionantes:
“Quando estávamos prontos para embarcar (para as Américas), fomos acorrentados uns aos outros e amarrados com cordas pelo pescoço e, assim, arrastados para a beira-mar. Uma espécie de festa foi realizada em terra firme naquele dia. Não estava ciente de que essa seria minha última festa na África. Feliz de mim que não sabia”, escreveu o escravo.
Se, antes, os brasileiros tinham conhecimento do ambiente de um navio negreiro por meio das descrições de historiadores ou de famosos poemas como o de Castro Alves, agora poderão ter um relato vivo de uma testemunha de um dos piores capítulos da História da humanidade:
“Fomos arremessados, nus, porão adentro, os homens apinhados de um lado, e as mulheres de outro. O porão era tão baixo que não podíamos ficar de pé, éramos obrigados a nos agachar ou nos sentar no chão. Noite e dia eram iguais para nós, o sono nos sendo negado devido ao confinamento de nossos corpos.”
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Comida e bebida eram escassos na viagem, havendo dias em que os escravos não ingeriam absolutamente nada. “Houve um pobre companheiro que ficou tão desesperado pela sede que tentou apanhar a faca do homem que nos trazia água. Foi levado ao convés, e eu nunca mais soube o que lhe aconteceu. Suponho que tenha sido jogado ao mar”, conta Baquaqua.



A incrível jornada de Baquaqua - Editoria de Arte

Pernambuco foi o destino do navio que levava nosso personagem, que desembarcou em 1845. De início, foi levado para uma lavoura nos arredores de Olinda, onde conheceu a dureza da escravidão brasileira: “o fazendeiro tinha grande quantidade de escravos, e não demorou muito para que eu presenciasse ele empregando livremente seu chicote contra um rapaz. Essa cena causou-me uma impressão profunda, pois, é claro, imaginei que em breve seria o meu destino”.
Baquaqua tratou da violência do senhor, chamando-o de “tirano”. Trabalhando como padeiro, o escravo inicialmente prestava os serviços com dedicação, mas ao ver que seu "patrão" nunca ficava satisfeito, entregou-se às bebidas e evitou o serviço. Acabou revendido para outro comerciante, desta vez no Rio de Janeiro.

"Meus companheiros não eram tão constantes quanto eu, sendo muito dados à bebida e, por isso, eram menos rentáveis para o senhor. Aproveitei disso para procurar elevar-me em sua opinião, sendo muito prestativo e obediente, mas tudo em vão; fizesse o que fizesse, descobri que servia a um tirano e nada parecia satisfazê-lo. Então comecei a beber como os outros e, assim, éramos todos da mesma laia, mau senhor, maus escravos."
Na capital do Império, devido aos seus conhecimentos de matemática e literatura, o escravo atuou dentro de um navio especializado no comércio de charque entre o Rio Grande do Sul e a Corte.
Mas foi uma encomenda de café para Nova York que mudou sua vida completamente. Naquela época, os estados do Norte dos Estados Unidos já tinham abolido a escravidão, fato que não passou despercebido por Baquaqua. “A primeira palavra que meus dois companheiros e eu aprendemos em inglês foi F-R-E-E (L-I-V-R-E); ela nos foi ensinada por um inglês a bordo e, oh!, quantas e quantas vezes eu a repeti.”
Baquaqua tentou fugir do navio ao desembarcar em Nova York, mas logo acabou preso. Com a ajuda de abolicionistas locais, o escravo conseguiu escapar da prisão e rumou para o Haiti. Ficou por lá durante dois anos, período em que se converteu ao cristianismo, ingressando na Igreja Batista Abolicionista. De volta aos Estados Unidos, em 1850, o já liberto africano frequentou aulas de inglês por três anos no Central College, numa localidade então conhecida como MacGrawville, hoje parte de Nova York.

RELATO SIMILAR AO DE FILME QUE GANHOU OSCAR

 
(filme completo)


Mas foi em Detroit que Baquaqua publicou seu livro, numa tentativa de arrecadar fundos para a campanha abolicionista. A autobiografia - chave do seu engajamento na luta abolicionista (que o levou até mesmo à inglesa Liverpool, em 1857, último lugar onde se teve notícia de Baquaqua) - é contemporânea e guarda similaridade com a de Solomon Northup. Americano nascido livre e escravizado no Sul dos Estados Unidos, ele teve sua obra adaptada para o cinema em 2013, com o título “Doze anos de escravidão”. O filme americano venceu o Oscar em três categorias, inclusive a de melhor longa-metragem.
- O contexto em que o livro de Solomon Northup    foi publicado é o mesmo do de Baquaqua. Abolicionistas incentivavam ex-escravos a escrever relatos do cativeiro e mobilizar a opinião pública. Nada melhor do que o próprio escravo para contar como era a escravidão - afirmou Véras, que também trabalha para lançar um site somente sobre o ex-escravo, reunindo vídeos, fotos e arquivos de época.
Essa fascinante história também virou tema de um pequeno documentário em 2012, produzido por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em parceria com professores da rede de ensino do estado. Paulo Alexandre, conhecido nacionalmente por reproduzir os principais acontecimentos da Segunda Guerra Mundial no Facebook, foi um dos que participaram da produção.
Segundo ele, o personagem pode ser trabalhado em sala de aula como uma história de superação e de luta contra os estereótipos em torno do escravo:

- Meus alunos ficam impressionados quando lhes conto sobre Baquaqua, pois todos tinham aquela velha ideia de escravo submisso, aquele indivíduo sem nome nem identidade, que só sabia apanhar e trabalhar. Ninguém imagina que ele poderia ser uma pessoa inteligente, empreendedora, que consegue a liberdade a partir do próprio esforço.

Assista abaixo à primeira parte do documentário de 2012.



quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Vale a pena usar um software gerenciador de senhas?


Memorizar senhas boas não é uma tarefa simples. Mas o mais difícil é criar senhas diferentes para todos os serviços, lembrar qual senha é de cada serviço e, ainda assim, não esquecer nem aquelas de uso menos frequente. É para resolver esse problema que existem softwares gerenciadores de senhas: você cadastra suas senhas nesses softwares e protege o conjunto todo de senhas com uma senha mestra. Assim, basta lembrar uma única senha e o software faz o resto do trabalho sozinho.
Esta coluna já recomendou em outras oportunidades uma solução mais simples: anotar as senhas, em papel mesmo, e guardar o papel em local seguro. As duas opções têm vantagens e desvantagens, mas vamos partir do pressuposto de que você não consegue memorizar todas as suas senhas.

Softwares incluem funções para gerar senhas fortes e autocompletar formulários de login. (Reprodução)

Anotar em papel torna suas senhas imunes a ataques de vírus. Muitas pragas digitais são programadas para roubar as senhas que você grava no navegador web, por exemplo. Ter tudo em papel protege você contra esse tipo de ataque e ainda serve como medida de proteção caso algo aconteça com seu computador – você não perde suas senhas. No entanto, o papel precisa ser muito bem guardado. Se você acredita que pessoas ao seu redor podem achar e utilizar as senhas anotadas, então o papel torna-se uma péssima ideia.

Utilizador um gerenciador de senhas é extremamente conveniente, porque você não precisa copiar as senhas de um papel. Porém, embora alguns gerenciadores de senhas tentem proteger o seu sistema na hora de usar as senhas anotadas, não há garantia contra vírus. Na semana passada, um pesquisador da IBM revelou uma versão de um cavalo de troia chamado de Citadel que tentar roubar senhas mestras de gerenciadores de senhas. Como a senha mestra é a única proteção das suas senhas, apenas com essa senha pode ser possível roubar seu arquivo de senhas e ter acesso a todas a todas elas.

Anotar em um arquivo de texto comum, por incrível que pareça, pode ser mais seguro. Isso porque o gerenciador de senhas terá, obviamente, suas senhas. No entanto, um vírus não tem como saber que um documento qualquer na verdade contém as suas senhas. Contra ataques automatizados, como os vírus, um arquivo simples com as suas senhas deixará elas menos expostas. Mais uma vez, porém, caso algum conhecido seu tenha alguma má intenção, o arquivo pode ser facilmente lido, sem a necessidade de obter qualquer "senha mestra" para saber suas senhas.

A memória é sempre o lugar mais seguro para qualquer senha. E, na verdade, nada impede você de fazer uso de mais de um método: você pode guardar em papel algumas senhas, usar um gerenciador para outras e reservar o precioso espaço na memória para as senhas mais importantes, como as bancárias.
O mais importante é que você evite utilizar senhas muito fracas só porque não conseguirá memorizar senhas fortes. Você também deve evitar a dependência em mecanismos de recuperação de senhas, como as "perguntas de segurança". Isso também pode deixar você vulnerável, principalmente caso o invasor conheça você ou conheça algum amigo seu que possa fornecer as informações que ele precisa para adivinhar as respostas.
Os gerenciadores de senhas não são uma bala de prata, mas podem ser úteis e convenientes. Agir com segurança é entender os riscos e benefícios de cada medida e escolher aquilo que é melhor para o seu caso.

Caso você tenha interesse, um gerenciador de senhas gratuito é o KeePass.

Profissão : "YouTuber" 4

Jovem desiste de carreira no futsal para se dedicar a vídeos de 'Minecraft'

Pedro Afonso, o 'RezendeEvil', chegou a ser goleiro de time na Itália.
Vídeos em seu canal no YouTube são vistos 30 milhões de vezes por mês.

Ser jogador de futebol é o sonho de muito boleiro mirim por aí. E foi o de Pedro Afonso, de 18 anos. Ele jogou futsal profissionalmente e chegou a sair de Londrina (PR) para ser goleiro de um time na Itália. Mas no começo deste ano, um outro sonho de criança, mais moderno e digital, o trouxe de volta ao Brasil. Desde então, ele tem se focado no "RezendeEvil", seu canal de vídeos de "Minecraft" (jogo de construção com blocos) no YouTube. A dedicação deu retorno: a audiência foi subindo e hoje os vídeos são vistos 30 milhões de vezes por mês.

Pedro Afonso, o 'RezendeEvil' (Foto: Editoria de arte/G1)

RezendeEvil cria vídeos sobre games para o YouTube e está entre os mais populares do Brasil. Segundo o G1 apurou, um youtuber com entre 500 mil e 1 milhão de inscritos pode ganhar de R$ 6 mil a até R$ 50 mil por mês, contando apenas a receita gerada por anúncios. Além do sucesso na web, muitos deles fazem a cabeça da garotada na vida real, mobilizando milhares de jovens que querem tirar uma foto ou conversar com o ídolo da internet.

Pedro já fazia vídeos de "Minecraft" há dois anos quando foi jogar no exterior, em outubro de 2013. Levava o YouTube como "brincadeira", apesar de ganhar algum dinheiro com o canal e ser acompanhado então por 200 mil inscritos.
Daí bastou a experiência internacional não ser o que o jovem esperava – "foi complicado ficar longe da família" – para ele decidir transformar hobby em atividade principal. "Para não voltar para o exterior, tive que fazer alguma coisa. E decidi bombar meu canal", ele conta. Ainda fora do Brasil, juntou dinheiro e comprou um bom notebook.
Apesar de a carreira no futebol não ter dado certo, ele atribui ao esporte um dos motivos do seu sucesso. "Nunca fui de ficar muito no computador, no PlayStation. Nunca fui viciado. Mas sou muito competitivo, e depois que peguei o YouTube para valer, coloco alguma meta e não vejo nem o tempo passar", explica. "Em poucos meses eu já estava com 1 milhão de inscritos. Números de visualizações absurdos. E recebendo muito mais do que recebia na Itália".

Atuando no 'Minecraft'
O carro-chefe de Pedro no YouTube são suas séries sobre "Minecraft", fenômeno entre os jogadores mais jovens. Usando diversas modificações para o game, ele trabalha com as ferramentas de criação do jogo para contar histórias que vão desde uma versão do programa de TV "The Walking Dead" a uma interpretação da Arca de Noé – sempre sem palavrões e com foco no público infantil.
Com até dez amigos,"cada um com seu personagem e visão", ele usa um roteiro base para as séries e improvisa os diálogos. "Eu gosto muito de atuar. Tanto que as séries que mais bombam hoje no canal são de atuação", comenta. A fórmula funciona. O vídeo mais popular do "RezendeEvil" é a parte final de "Ilha Misteriosa", que tem até um "o filme" no título por causa do tamanho: um colosso de 1h20, mas que conta com mais de 2,5 milhões de visualizações. O youtuber atribui os números ao jeito de gravar. "Quando você fala o vídeo inteiro, o pessoal não consegue parar de ver. É difícil fechar", ensina. "São coisas muito simples, mas que podem fazer uma diferença gigantesca".

Youtuber do achocolatado
Pedro mantém uma rotina considerada puxada entre youtubers, com a publicação religiosa de três vídeos por dia. "Agora estou com essa meta de bombar e chegar a números que ninguém chegou no Brasil. Hoje fiquei das 9h até 17h gravando".
Por trabalhar com conteúdo simpático aos mais novos, "RezendeEvil" recebe muitos presentes de seus fãs. Muitos mesmo. "Já vi inscrito de 5 anos. No vídeo, brinco que gosto de achocolatado. Em um evento, ganhei mais de 80 litros de achocolatado. Tive que comprar mala, pagar bagagem extra", brinca. Mesmo com as situações inusitadas, Pedro diz que dá "muito valor para os inscritos". "Sei que sem eles não seria ninguém. Na Brasil Game Show, tinha hora que até arrepiava, porque o pessoal começava a gritar seu nome e você não conseguia dar atenção para todo mundo", recorda.
Apesar de ter guardado a maioria do dinheiro que ganhou com seu canal, Pedro conta que tem medo do YouTube se tornar um novo Orkut e acabar subitamente. Ele pretende se mudar para São Paulo e estudar publicidade ou direito. "O canal é primeiro lugar disparado. Mas tenho certeza que o YouTube não é para sempre. Quero estudar para ter garantia. Não é fácil tomar decisões", conta. "Posso chegar amanhã e ninguém mais ver graça em mim".

 

Profissão : "YouTuber" 3

'Não confio na internet', diz youtuber mascarado com 1,8 milhão de fãs

Zangado usa disfarce de 'V de Vingança' em vídeos de games no YouTube.
Formado em engenharia, youtuber divide tempo entre as duas profissões.

É com uma máscara de Guy Fawkes, aquela do filme "V de Vingança", símbolo das manifestações que tomaram o Brasil em junho de 2013, que Thiago "Zangado" se apresenta para seu 1,8 milhão de fãs no YouTube. Sem nunca ter mostrado publicamente o rosto desde que passou a postar vídeos de games na web, há cinco anos, conta que o motivo para começar a gravar foi a vontade de protestar. No caso, contra um jogo ruim. Seu anonimato segue até hoje. No entanto, por questões de privacidade. "Não confio na internet", conta.

Thiago 'Zangado' (Foto: Editoria de arte/G1)

Zangado cria vídeos sobre games para o YouTube e está entre os mais populares do Brasil. Segundo o G1 apurou, um youtuber com entre 500 mil e 1 milhão de inscritos pode ganhar de R$ 6 mil a até R$ 50 mil por mês, contando apenas a receita gerada por anúncios. Além do sucesso na web, muitos deles fazem a cabeça da garotada na vida real, mobilizando milhares de jovens que querem tirar uma foto ou conversar com o ídolo da internet.

Mais velho que a maioria dos youtubers e formado em Engenharia Civil, "Zangado" diz que fala com propriedade. Apesar de seus vídeos terem "gameplays", que é quando a pessoa grava e comenta o que está jogando, o rapaz de 27 anos tenta adotar um tom informativo como atrativo do canal. Críticas e referências a outros jogos, filmes e livros surgem junto da ação. O vídeo em que ele discute se vale a pena (ou não) dar uma chance à série de terror "Resident Evil" foi visto quase 2 milhões de vezes.

"Para você fazer uma pessoa sentar e assistir a um vídeo de 3 minutos, é difícil. Mas quando você olha no meu canal, tenho vídeo de 1h 40. Como você acha que consigo fazer 700 mil pessoas pararem para me ver falando no YouTube?", questiona. "Eu busco referências, faço analogias, é uma coisa muito profunda. Eu fiz um vídeo do jogo 'Vampire: The Masquerade - Bloodlines' e em parte dele ensino a jogar RPG de mesa. Fiz vídeo do novo jogo do 'Alien' e falei dos filmes 'Alien'", responde.

Não é só vídeo
Por mesclar um pouco mais de conteúdo – "é uma monografia sobre um jogo toda vez" – ao clima informal da internet, o youtuber mascarado chega a comparar seu formato ao de um professor de cursinho. "Se ele fica só na explicação, a cabeça do moleque some e se transporta para outro lugar. Se faz informação e piada, o moleque presta atenção e fica com o professor".
Parece que funciona. Ao todo, os vídeos de "Zangado" somam 144 milhões de visualizações no YouTube. Em eventos, é um dos mais assediados pelos fãs e chega a ser escoltado por seguranças. Sobre esse status de celebridade, entende que o público "passa muito tempo na frente do computador e acaba criando um laço", mas acredita que sua atitude em relação a eles é um diferencial.
"Quem não conhece meu canal pode achar 'por que eles gostam do Zangado, esse bosta só faz vídeo'. Só que elas não têm noção do que é responder mensagens sobre problemas que não tem absolutamente nada a ver com games. É moleque que perdeu a mãe, terminou com a namorada", explica. "Antigamente, eu respondia todo mundo. Hoje, não dá. Acumula, e quem for insistente consegue falar comigo".

O peso da palavra
É essa natureza mais aberta da internet o motivo que faz com que "Zangado", que pede para não divulgar seu nome completo ou a cidade onde mora, siga sem revelar o rosto. "As pessoas se expõem demais no Facebook, Twitter, Instagram. Se alguém quiser te rastrear e te pegar, ela pega". Mas ele confessa que, antes da febre das redes sociais, a timidez e o medo de ser zoado pelos colegas falaram mais alto na hora de pensar em anonimato.
"Eu era estudante de engenharia e não queria que ninguém visse e ridicularizasse. As pessoas gostavam, mas os vídeos não eram muito bons, eu falava errado", conta. "Então um amigo comprou uma máscara de R$ 1 no camelô. Enquanto eu fui o 'Zangado' amador, eu usei essa máscara. Quando as coisas começaram a crescer e passaram a enxergar que a minha palavra tinha peso, vi que era a hora de buscar uma figura com mais presença".
Apesar dessa quase obsessão em falar algo significativo, "Zangado" deu o pontapé em seu canal para esbravejar. O culpado é o game de ação "Golden Axe: Beast Rider". "Fiquei com tanta raiva que quis fazer um vídeo para falar mal dele". Hoje, porém, ele afirma que "ter algo a mais" é obrigatório para "não ser substituído". "O que eu não quero é que alguém tenha a sensação de ter gastado vida me assistindo", resume. Ele cutuca quem "grita do início ao fim", caso comum em muitos gameplays. "A molecada cresce e deixa de gostar. Ele grita hoje, amanhã tem um cara que grita mais alto".

Data e hora para acabar
Mas o caso de "Zangado" destoa da maioria dos youtubers. Com 27 anos, ele divide seu tempo entre os vídeos de games e a engenharia civil: trabalha na empresa do pai. Essa condição faz com que ele não veja motivo em deixar seu emprego, apesar de dizer que conseguiria se sustentar com o canal.
"Tenho a liberdade de não ir um dia, sair mais cedo, porque meu pai sabe do outro trabalho. Se eu não trabalhasse para ele, não daria conta". Mesmo assim, "Zangado" diz que viver do YouTube é algo "que tem data e hora para acabar". "Na internet, cada ano riscado é uma vitória. O público muda, pessoas enjoam. Eu vejo molecada falando 'meu sonho é ser youtuber'. É complicado. Um diploma ninguém tira de você".

 

Profissão : "YouTuber" 2

Bem-humorada, youtuber diz que 'jeito babaca' ajudou a fazer sucesso

'Maioria puxa para o sexy', diz 'malena0202', que tem 680 mil fãs em canal.
Jovem já foi reconhecida na Disney e usa YouTube para pagar faculdade.

Ver uma mulher gostando de videogames ainda pode causar surpresa em alguns poucos e bobos, mas no caso da jovem Malena Nunes, de 19 anos, a tradição em quebrar expectativas começou uma geração antes. Foi por causa da mãe, uma fã de "Crash Bandicoot" e mais recentemente da série "Assassin's Creed", que ela começou a jogar e gravar seus vídeos de games. Ela não nega que o fato de "ser menina" tenha ajudado seu canal a crescer – "não tem muita mulher no YouTube" – mas acredita (e com razão) que tem um diferencial: "A maioria puxa para o sexy. Eu sou diferente. É meu jeito babaca", brinca.

Malena Nunes, a 'malena0202' (Foto: Editoria de arte/G1)

"Malena0202" cria vídeos sobre games para o YouTube e está entre as mais populares do Brasil. Segundo o G1 apurou, um youtuber com entre 500 mil e 1 milhão de inscritos pode ganhar de R$ 6 mil a até R$ 50 mil por mês, contando apenas a receita gerada por anúncios. Além do sucesso na web, muitos deles fazem a cabeça da garotada na vida real, mobilizando milhares de jovens que querem tirar uma foto ou conversar com o ídolo da internet.

Das desventuras do motorista Reginaldo no game "Surgeon Simulator" à pegação e ostentação de Melody em "The Sims 4", Malena é cheia de tiradinhas rápidas e bastante simpatia. Com seu jeito, conseguiu juntar quase 700 mil inscritos no YouTube. "Acho que conduzo meus vídeos de uma maneira diferente do que o pessoal está acostumado a ver mulheres fazendo. Até mesmo alguns homens".
O público masculino, aliás, é maioria, com 60%. "Encontro de criança a barbudo". Mas isso também significa que 40% são mulheres, o que é algo notável para a youtuber. "Fico feliz que o número de meninas esteja aumentando. Porque quando eu era menor, nenhuma jogava videogame. E para mim é normal, eu aprendi com a minha mãe", diz.

Plano A é faculdade
Malena, que é estudante de Rádio & TV em São Paulo (SP), usa o dinheiro que ganha com o seu canal para pagar sua faculdade e ajudar com as despesas de casa, onde moram seis pessoas. Para ela, no entanto, o YouTube é só um desvio. "Fiz um curso de oficina de vídeo quando tinha 16 anos e falei 'é isso que eu quero para a minha vida'. Mas é o que eu costumo dizer. O YouTube não é meu Plano A. Meu Plano A é minha faculdade. É me formar, seguir carreira, entrar em uma emissora, trabalhar com direção de imagem", conta. A jovem diz saber que tem "uma validade em frente às câmeras".
Por sinal, quem assiste aos vídeos bem-humorados da "malena0202", codinome herdado da sua época no finado "Habbo Hotel", não imagina que ela seja tímida e bem reservada. "Sou gente como todo mundo. Fico o dia inteiro no meu quarto e quando saio para evento, fico até assustada. Ainda não me acostumei com esse fato". Malena conta que a ficha do alcance do seu canal caiu quando ela marcou um piquenique. "Eu e mais dois canais falamos que íamos no Ibirapuera. Foram 2 mil pessoas. E a gente foi retirada do parque pela Polícia Civil. Eu fui tão ingênua que levei minha comida na mochila". Até em uma viagem de férias à Disney, nos Estados Unidos, ela foi reconhecida várias vezes por fãs.
Mas por que existe esse sucesso todo? "As crianças hoje em dia tem muito acesso à tecnologia. A TV para alguns é obsoleta. Só para na frente da TV se quiser ligar o computador. A gente vê canais cortando programas infantis. Quem supre isso somos nós. Quando eu era menor, eu gostava muito da Xuxa. E hoje eu vejo que nós, youtubers, somos a Xuxa dessa galera", argumenta.

Jogar é trabalho
Apesar de se divertir gravando, Malena diz que raramente consegue jogar "Dota 2", seu game favorito. "Cada partida tem 40 minutos. E com esse tempo eu produzo quase um vídeo inteiro. Então jogar por prazer, talvez num dia em que eu consiga gravar quatro vídeos e ficar tranquila de noite". A jovem defende sua profissão atual das acusações de não dar trabalho. "[Ser youtuber de games] é uma coisa que a galera não leva a sério justamente por ser videogame. Mas os canais com mais visualizações no Brasil são de games".
Um dilema parecido acaba acontecendo dentro da sua casa. Ana Riskevich, mãe de Malena, apoia o trabalho da filha em todos os sentidos, mas ao mesmo tempo se sente dividida com uma profissão que envolve ficar na frente do computador o dia inteiro. "Tenho amigas que falam que o filho não assiste TV, assiste Malena. Mas eu quero fazer ela dar uma volta com os cachorros, que ela viva o que eu vivi", confessa. "Ela viajou comigo para Fernando de Noronha. A gente curtiu. Mas se eu falar isso pra ela hoje, ela não vai. A não ser que leve o notebook para fazer um diário de viagem".
Malena argumenta que o YouTube é um trabalho 24h por dia. "Você não desliga. Eu não consigo dormir sem olhar no celular o aplicativo para ver como um vídeo foi. É um trabalho, mas é um filho".

 

Profissão : "YouTuber" 1

Youtuber expulso de evento por causa de fãs diz que faculdade é plano B

Rafael Lange, o Cellbit, faz vídeos de games para 490 mil seguidores.
Jovem conta que risadas e gritos são naturais: 'me considero um palhaço'.

 

Na pequena Carazinho (RS), o jovem de 17 anos Rafael Lange é só mais um estudante recém-formado no ensino médio. Em seu canal de games no YouTube, porém, a história é outra. O apelido "Cellbit" assume o controle e faz piadas e caretas para uma audiência oito vezes maior que a população da sua cidade. O alcance é tão grande que o youtuber chegou a ser expulso da feira Brasil Game Show (BGS) 2014 por causa da aglomeração de fãs. E, por enquanto, ele não pensa em se dedicar a outra coisa. "É o que amo e vou até o final. Pretendo fazer uma faculdade só para ter aonde ir caso tudo dê muito errado", diz.

Rafael Lange, o 'Cellbit' (Foto: Editoria de arte/G1)

Cellbit cria vídeos sobre games para o YouTube e está entre os mais populares do Brasil. Segundo o G1 apurou, um youtuber com entre 500 mil e 1 milhão de inscritos pode ganhar de R$ 6 mil a até R$ 50 mil por mês, contando apenas a receita gerada por anúncios. Além do sucesso na web, muitos deles fazem a cabeça da garotada na vida real, mobilizando milhares de jovens que querem tirar uma foto ou conversar com o ídolo da internet.
Seguido por mais de 490 mil pessoas só no YouTube, Rafael vive uma rotina de contrastes. Em sua cidade, é anônimo como a maioria dos outros 60 mil habitantes. Raramente sai de casa. "Não tem muita coisa para fazer. Não tem nem cinema". Mas basta aparecer em um evento de games ou cultura nerd para que a popularidade obtida com seus vídeos, cheios de piadinhas e editados com suas melhores reações a jogos como "Garry's Mod", se manifeste.

Para ele, o alvoroço de fãs acontece porque os youtubers acabam se tornando íntimos dos seus seguidores. "Alcanço um grande público. Muitos atingem milhões todos os dias. Quando você acaba dando sua opinião sobre um assunto para milhares de pessoas, consegue influenciar bastante. E como a gente sempre deixa tudo muito pessoal, o público se sente quase como um amigo. Todo mundo quer lembrar do momento em que encontrou quem eles gostam".
Nem por isso esses acontecimentos deixam de ser surpreendentes. Morador do interior do RS, Rafael diz que raramente consegue ir a algum evento e que, por isso, é sempre uma surpresa ver "a quantidade de gente que gosta de mim. É realmente assustador". Mesmo assim, ele descarta qualquer tipo de status em relação à fama de internet. "Eu estive dos dois lados. Já fui muito fã. Comecei porque acompanhava um canal gringo e queria aprender a editar que nem eles. E agora trabalho com isso. Mas não acho que a gente seja celebridade. Essa palavra é muito forte", opina.

Palhaço do YouTube
Esse lado pop de Rafael, no entanto, só surgiu com o canal no YouTube. Ele conta que, antes disso, não tinha muitos amigos e quase não conversava na escola. "Sempre fui tímido. Ficava em casa o dia inteiro jogando videogame. Só ia para as aulas e voltava. O YouTube acabou resolvendo isso para mim. Com o tempo, fiquei mais extrovertido".
Assim como o sueco Felix Kjellberg, o "PewDiePie", canal do YouTube com mais inscritos (32 milhões), a especialidade de "Cellbit" é gravar caras e bocas enquanto joga. Isso significa (muitos) gritos agudos, gargalhadas histéricas e palavrões. O resultado costuma ser engraçado, mas os desatentos podem não entender nada do que está sendo falado.
"Na verdade, é bem natural. O que eu sempre falo é: quando você está gravando, tem que ser você 'vezes 10'. Tem que aumentar, falar para fora, falar alto, para a galera te ouvir. Nisso, você se acostuma ao seu tom de voz e, quando acontece algo surpreendente, acaba dando um berro. Às vezes eu grito tanto que até tomo um susto na edição", brinca. Nós também. "Respeito muito o conteúdo informativo, mas o meu estilo sempre foi entreter. Sempre gostei de ter essa resposta, de fazer uma piada e as pessoas rirem. Me considero um palhaço".

Prazo para dar lucro
Rafael pretende se dedicar exclusivamente ao seu canal por pelo menos mais um ano. Depois, pensa em cursar publicidade em paralelo com seu trabalho. "Não acho que seja válido largar tudo para fazer vídeo na internet. Mas também não acho que isso tudo vá acabar tão rápido. No Brasil, tem muita gente que acha errado ganhar dinheiro com o YouTube".
Para Andréa Lange, mãe de "Cellbit", a decisão do filho obviamente preocupou no início. Por isso, eles estabeleceram um prazo para que a atividade começasse a ter retorno financeiro, o que já acontece. "Sinto que fui um pouco dura com ele, mas acredito que essa pressão fez com que ele se empenhasse muito", diz. "Só quem acompanha um youtuber diariamente sabe o que isso exige. São horas de gravação, horas editando. É um trabalho como outro qualquer. Ver isso como uma brincadeira ou 'trabalho fácil' é, no mínimo, injusto".
Ela conta ainda que quer ver seu filho cursando uma faculdade e que está em negociação para que isso aconteça. "O mercado de trabalho exige um diploma. Claro que me preocupo com a possibilidade de ele, por algum motivo, deixar de ser youtuber e não ter uma formação. Mas, sinceramente, hoje não consigo imaginar o Rafael em outra profissão. Ele é um youtuber e me orgulho muito disso".

 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O Natal dos Pets

'Panetone' e 'cerveja' são opções de presentes de Natal para pets em SP

Segundo lojistas, ideia é integrar animais às festas familiares de fim de ano.
Veterinário alerta para cuidados com produtos para evitar alergias.

 

Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos de Natal para pets (Foto: Fábio Tito/G1) 

 Pet shops de São Paulo aproveitaram as festas de fim de ano para oferecer produtos natalinos como opção de presentes para animais de estimação. A lista é variada, com acessórios, panetone de carne e até cerveja sem álcool. Os itens especiais são opção até para amigos-secretos entre os bichinhos de estimação, organizados pelos donos.

A ideia dos produtos temáticos, segundo os lojistas, é integrar cada vez mais cães e gatos às confraternizações da família, mesmo que isso aumente os gastos no fim de ano.
Um gorrinho de Papai Noel para cães e gatos, por exemplo, custa em média R$ 30, segundo pesquisa feita pelo G1. As roupinhas e camisetas são vendidas por preços entre 26,90 e R$ 75 e brinquedos de pelúcia - de papais noéis e bonecos de neve - variam de R$ 31 a 49. As caminhas com estampas natalinas são mais caras e custam cerca de R$ 200.
Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos de Natal para pets (Foto: Fábio Tito/G1) 
Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos de Natal para pets 
Na hora do lanche, as lojas também oferecem opções para a sobremesa dos pets, como panetones fabricados para o consumo de cães com flocos de carnes. O valor médio da embalagem de 80 gramas varia de R$ 6,90 a R$ 14. A cerveja para os caninos, sem álcool, também tem sabor de carne e custa, em média, R$ 16 a garrafa com 355 ml.
Segundo o empresário Rodrigo Albuquerque, sócio de uma rede de franquias norte-americana com lojas no Brasil, hábitos tradicionais nas festas de fim de ano, como o amigo-secreto com troca de presentes, tem alavancado as vendas de Natal nas pet shops. "As pessoas vêm até a loja para presentar os pets de amigos,  mostrando o espaço que o pet está ganhando em importância dentro da família", revelou.
Nas gôndolas e vitrines, as opções mais oferecidas são camisetas, roupas de Papai Noel ou Mamãe Noel, gravatas, gorros ou laços vermelhos. Os donos dos animais de estimação, no entanto, devem ficar atentos ao período de uso de acessórios, como gorros, e
roupinhas.
Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos de Natal para pets (Foto: Fábio Tito/G1)Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos de
Natal para pets (Foto: Fábio Tito/G1)
O diretor técnico veterinário de uma empresa especializada em atendimento domiciliar de pets, José Roberto Ribeiro, explica que o calor no fim de ano em São Paulo pode causar irritações e feridas se o uso for prolongado, principalmente durante o dia. "A roupa muito quente vai começar a incomodar. O pet se coça por cima da roupa e isso resulta em nós no pelo, feridas ou até fungos por causa da umidade combinada com o calor", afirmou.
Em casos extremos, a temperatura do animal pode subir acima do recomendado e acabar com uma hipertermia, um efeito semelhante ao da insolação, necessitando o atendimento médico. Já em relação aos petiscos, como panetones e chocotones fabricados com ingredientes específicos para os pets, o veterinário recomenda que as porções oferecidas sejam controladas, mesmo sendo exclusivos para uso animal.
Segundo o Instituto Pet Brasil, o gasto com cães no Brasil pode chegar, mensalmente, a R$ 315 para donos de animais de raças de grande porte, valor que inclui ração, vacinas, banho, tosa, controle de pulgas, entre outros cuidados. Já as raças pequenas não exigem mais de R$ 133. O gasto geral com gatos é, em média, de R$ 84,19, com todos os valores computados. A entidade, no entanto, não tem levantamento específico para as vendas e os gastos com produtos pets temáticos para o Natal.

Serviço:

Cobasi
10 lojas na capital paulista
www.cobasi.com.br

Mondo Pet São Paulo
Morumbi Shopping - piso térreo
(11) 5181-1181
www.mondopet.com

Pet Center Marginal
11 lojas na capital paulista
www.petcentermarginal.com.br

Petland
Loja modelo: Rua Vieira de Morais, 1245 – Campo Belo, São Paulo – SP
(11) 2769-1762 / 1880
www.petlandbr.com.br

Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos para pets para ceia de Natal, como cerveja para cães (Foto: Fábio Tito/G1)Lojas vendem produtos temáticos para pets para ceia de Natal, como cerveja para cães 
Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos de Natal para pets (Foto: Fábio Tito/G1)Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos de Natal para pets 
Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos de Natal para pets (Foto: Fábio Tito/G1)Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos de Natal para pets 
Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos de Natal para pets (Foto: Fábio Tito/G1)Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos de Natal para pets
Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos de Natal para pets (Foto: Fábio Tito/G1)Lojas de São Paulo vendem produtos temáticos de Natal para pets 
 

 

"Pão de Queijo Day"

 Empresas brasileiras fazem 'pão de queijo day' nos Estados Unidos (Foto: Divulgação/Forno de Minas)

Empresas brasileiras fazem 'pão de queijo day' nos Estados Unidos

Forno de Minas e Giraffas fizeram a ação para promover o quitute nos EUA.
Clientes do Giraffas USA receberão dois pães de queijo grátis por refeição.

Consumidores dos Estados Unidos que comprarem qualquer refeição em uma unidade da Giraffas USA às segundas-feiras receberão como brinde dois pães de queijo. A ação, batizada de "Pão de Queijo Day", é uma parceria da filial americana da rede brasileira Giraffas com a Forno de Minas, que fabrica o tradicional quitute mineiro no Brasil. A campanha é por tempo limitado.
A rede Giraffas USA possui 12 lojas na Flórida. Segundo a gerente de exportação da Forno de Minas, Gabriela Cioba, o objetivo é apresentar o pão de queijo ao consumidor dos EUA. "O desafio é conquistar o consumidor americano e essa parceria com a Giraffas é importante na divulgação do pão de queijo”, afirma.

 

Propaganda Enganosa

Red Bull terá de pagar US$ 13 milhões aos consumidores nos EUA (Foto: Reuters)

Red Bull vai pagar US$ 13 milhões por propaganda enganosa nos EUA

Autor de ação afirma que bebida não tem efeito mencionado no rótulo.
Milhões de consumidores norte-americanos podem ser reembolsados.

A marca de energéticos Red Bull aceitou pagar R$ 13 milhões aos consumidores norte-americanos para encerrar uma ação coletiva por propaganda enganosa.
O acordo pode beneficiar milhões de clientes que compraram o energético nos últimos dez anos. Eles terão direito a ser reembolsados em US$ 10 ou a receber duas latinhas em casa.
A ação coletiva se deve à promessa de aumento de velocidade, desempenho, concentração e reação dos consumidores após a ingestão da bebida. A campanha veiculada na televisão, rádio, internet e mídias sociais garante que "Red Bull dá asas".

No entanto, o autor da representação contra empresa, Benjamin Careathers, alegou que a fabricante engana os consumidores sobre a superioridade de seus produtos. Careathers afirma também que a bebida não tem mais eficiência que um copo de café, como é informado nas propagandas.
Procurada pelo G1, a Red Bull Brasil ressaltou que a ação se aplica apenas para consumidores norte-americanos.
"A empresa propôs um acordo neste processo para evitar os custos imprevisíveis de uma disputa judicial nos Estados Unidos. O marketing da Red Bull sempre foi divertido, verdadeiro e preciso", justificou a empresa.